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Pau-brasil, a árvore símbolo de nosso país

 

 

Essa espécie que já foi considerada extinta é um marco da história de nosso país. Além de ter originado seu nome, foi a primeira atividade econômica desenvolvida pelos portugueses em terras brasileiras.

O pau-brasil era encontrado do Rio Grande do Norte até a costa do Rio de Janeiro, era a árvore dominante na Mata Atlântica brasileira. Hoje se encontra praticamente extinto devido à exploração irresponsável e ao desmatamento da área de ocorrência da espécie.

O Instituto de Botânica (IBt) mantém dois arboretos de pau-brasil, uma dessas coleções ex situ _ fora de seu habitar natural _ fica localizada na área de visitação pública do Jardim Botânico de São Paulo e o outro arboreto, na estação experimental de Mogi-Guaçu, uma das reservas biológicas do IBt, onde verificou-se alta diversidade genética. A produção de flores e sementes regularmente comprova que a espécie adaptou-se às condições de latitude, altitude, clima e solo do local.

No IBt são realizadas pesquisas há 25 anos que estudam desde a região de ocorrência natural até a forma de cultivo do pau-brasil para, principalmente, ampliar o conhecimento dessa espécie e garantir sua conservação in situ e ex situ, assim como para seu uso sustentável.

Entre as pesquisas atualmente em andamento, devido à abrangência pode-se destacar o projeto temático: "Caesalpinia echinata Lam. (pau-brasil): da semente à madeira, um modelo para estudos de plantas arbóreas tropicais brasileiras", coordenado pelos PqCs Dr.ª Rita de Cássia L. Figueiredo Ribeiro e Dr. Claudio José Barbedo. Com o apoio da Fapesp, mais de 40 pesquisadores e estagiários do IBt e de outras instituições brasileiras, desenvolvem esse trabalho há quatro anos.

Dentre muitas pesquisas realizadas pelo Projeto Pau-brasil, destacamos algumas que ampliam o conhecimento sobre a preservação da espécie, como:

  • Documentação histórica: um levantamento na documentação histórica para estimar a exploração de pau-brasil;
  • Conservação in situ (no local original) e ex situ (fora do local original): levantamento das populações da espécie ainda disponíveis;
  • Tecnologia de sementes: Verificação do tempo e das condições de armazenagem das sementes e forma de colheita e secagem adequada.
  • Uso no meio urbano: as condições de conservação da espécie nas grandes cidades.
  • Uso sustentável da madeira: levantamento da qualidade da madeira de pau-brasil proveniente de reflorestamento na fabricação de arcos de violino.
  • Manejo sivicultural: estudos visando à formação de um pomar de sementes.

 
 
Um pouco de história:

Muito utilizada por nossos índios para o tingimento de tecidos, os portugueses logo descobriram nessa espécie uma riqueza inesgotável. Além do pigmento vermelho intenso extraído do cerne e conhecido como "brasileína", utilizado como corante e tinta de escrever, o pau-brasil também foi muito utilizado na construção naval e civil e em trabalhos de torno e marcenaria de luxo. A madeira é empregada atualmente para confecção de arcos de violino.

Ao longo da história diversas leis foram criadas para o controle da extração do pau-brasil, não com a finalidade de proteger nossas florestas, mas sim, de evitar a saída demasiada dessa riqueza e também de manter seu preço elevado. Essas leis que deram origem ao termo "madeira de lei".

Em 1978 por meio da lei n.º 6607 de 7/12/1978 o pau-brasil foi declarado oficialmente como árvore símbolo nacional e foi instituído o dia 03 de maio como o dia do pau-brasil.

Lei do pau-brasil, a árvore nacional. "Lei n. 6.607, de 7 de dezembro de 1978.
Declara o pau-brasil Árvore Nacional, institui o dia do pau-brasil, e dá outras providìncias.

Art. 1° - É declarada Arvore Nacional a leguminosa denominada pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam), cuja festa será comemorada, anualmente no dia 03 de maio, quando o Ministério da Educaçäo e Cultura, promoverá campanha elucidativa sobre a relevância daquela espécie vegetal na História do Brasil.

Art. 2° - O Ministério da Agricultura promoverá, através de seu órgäo especializado, a implantaçäo, em todo Território Nacional, de viveiros de mudas de pau-brasil, visando á sua conservaçäo e distribuiçäo para finalidades cívicas.

Art. 3° - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicaçäo.

Art. 4° - Revogam-se as disposiçöes em contrário.

Brasília, em 07 de dezembro de 1978, 157° da Independìncia e 90° da República.

Ernesto Geisel
Alysson Paulinelli
Euro Brandäo

Dados botânicos da espécie*:

Nome popular: Pau-brasil
Nome científico: Caesalpinia echinata Lam.
Família: Leguminosae
Sub-famíla: Caesalpinioideae
Outros nomes populares: Ibirapitanga, Pau-vermelho, Ibirapiranga, Arabutã, Brasileto, Araboretam, Pau-de-pernambuco
Local de origem: Matas costeiras (Mata Atlantica), do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro.
Zona climática de ocorrência: Semi-árida quente.

È uma árvore de porte elegante, copa arredondada, folhas verde-escuras brilhantes, flores em cacho amarelo-ouro, suavemente perfuma das, prestando-se como ornamental e própria para arborização urbana.

Caule:
Atinge até 30m de altura e 40 a 60cm de diâmetro em condições naturais. Apresenta fuste circular quase reto, com casca pardo-acinzentada e com muitos acúleos. Madeira de cerne castanho-avermelhado e alburno fino de coloração amarelada. É bastante resistente e pesada; superfície lisa, galhos ascendentes longos, geralmente finos, flexíveis e com acúleos.

Folha:
Alterna, composta, bipinada, de folíolos ovais, pequenos, formando folhagem densa verde-escura brilhante.

Flor:
As flores estão reunidas em inflorescência do tipo cacho simples, com pétalas de coloração amarelo-ouro, sendo que uma delas, denominada vexílo ou estandarte, possui coloração vermelho-púrpura o que proporciona às flores caráter bastante ornamental.

Fruto:
Vagem deiscente (que se abre liberando as sementes), espinescente (coberta de saliências)

Semente:
Achatada, elíptica, castanho, lisa de 1 a 1,5cm de diâmetro por 0,30 de espessura, de 2 4 por fruto (vagem). A semente é muito semelhante a da sibipiruna.

*fonte: Aguiar, F.F.A.; Pinho, R.A. Pau-brasil: Caesalpinia echinata Lam. - 2. Ed. Ver. Atual. - São Paulo: Instituto de Botânica, 1996. 14p: il. (folheto, 18).

Outras Informações sobre as pesquisas: site: www.pau-brasilvirtual.bio.br - http://www.ibot.sp.gov.br/plantas/pau-brasil.htm

 

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